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Acrílico reciclado ganha espaço no mercado

25/12/2019

Nestes tempos em que o plástico se tornou vilão ambiental, o setor de acrílico que trabalha com a recuperação de sucatas do material mostra-se sustentável. Por ano, mais de 1200 toneladas do material são recuperadas no País

No setor de acrílicos, a recuperação e o reaproveitamento de sucatas são realidade, assim como as chapas “ecológicas” – produto final do reaproveitamento de sobras industriais. “Por ser um plástico com maior valor agregado, o acrílico não é descartado facilmente. Tenho clientes para os quais fiz cadeiras há mais de 12 anos que, uma vez ou outra, aparecem pedindo para polir o material. Claro que a valorização também tem um lado ruim, pois o produto acaba sendo menos utilizado em tempos difíceis, mas o acrílico não é descartável, muito longe disso”, explica Marcos Rodrigues, diretor da Sheet Cril.

João Orlando Vian, consultor executivo do INDAC (Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico), lembra que não se pode confundir o plástico de uso único – descartável – com o acrílico, que é o material plástico que menos se descarta, principalmente por conta de sua valorização. “Só para se ter uma ideia, o preço pago pelo mercado por um quilo de sucata de acrílico é de em média 1 dólar. E vale ressaltar que, para se fazer um quilo de chapa ecológica, são necessários dois quilos de sucata, já que o processo envolve perdas durante o refino”, ressalta Gonçalves.

A Sheet Cril, que fica em Arealva, interior de São Paulo, é hoje a maior recicladora de acrílico do país. Na empresa são recicladas por ano cerca de 800 toneladas de acrílico, que, após processadas, resultam em cerca de 400 toneladas de chapas “ecológicas”. Considerando todo o país, que atualmente conta com nove empresas recicladoras de acrílico, de 100 a 120 toneladas de chapas acrílicas por mês são reaproveitadas. “Esse número pode variar bastante dependendo do mercado, mas, no geral, a maior dificuldade das empresas deste segmento é mesmo encontrar sucata. Não há sobra pra que você consiga atender uma maior demanda. Lembrando que a maior parte do material com que trabalhamos são sobras industriais”, afirma Marcos.

Ao contrário do que acontece normalmente no mercado, em que os produtos ditos “ecológicos” são mais caros que suas versões padrão, no mercado de acrílico as chapas recicladas vão para o mercado com um valor em torno de 20% inferior ao das chapas originais. A preferência por chapas coloridas é maior entre os compradores de chapas “ecológicas” do que entre os compradores de chapas virgens. Enquanto no segmento “ecológico” as chapas coloridas movimentam 40% das vendas, no de chapas transparentes ou cristal respondem por cerca de 20% das vendas.

Por outro lado, como acontece no mercado de chapas acrílicas no país, o segmento de comunicação visual também é o que mais consome acrílico “ecológico” e responde por cerca de 70% da demanda. As vantagens oferecidas não deixam por menos: elas são mais facilmente moldadas e possuem durabilidade muito similar à de uma chapa virgem, ressalta o diretor da Sheet Cril. “Temos testado aqui na empresa também, com bastante sucesso, a produção de luminosos e letras caixas feitas inteiramente em acrílico, sem fundo misto, que, graças à adição de um protetor solar, podem ser usadas mesmo em ambientes externos”.

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De olho neste mercado, a Castcril, maior produtora de chapas acrílicas do país, desenvolveu uma chapa de acrílico “ecológica” que promete superar as ofertadas atualmente. “Desenvolvemos uma matéria-prima de alta qualidade, feita para atender especialmente grandes empresas. Nosso objetivo é quebrar o paradigma de que o acrílico reciclado deve ser aplicado apenas em projetos que visam redução de custo e baixa exigência de qualidade”, explica William Oliveira, diretor da empresa que há um ano já trabalha com a reciclagem do acrílico. O novo produto será lançado no início de 2020.

Ainda segundo Oliveira, o baixo reaproveitamento de materiais plásticos hoje no país se deve a falta de educação ambiental e de políticas públicas que incentivem a reciclagem. Neste sentido, ressalta ele, o acrílico é 100% reciclável, mas vale lembrar que mesmo ele sofre com a falta de políticas públicas que incentivem o uso e a comercialização de materiais reciclados.

Apesar da maior oferta do produto no mercado, o executivo do INDAC alerta para a importância de se ficar atento à qualidade do produto e critérios de reciclagem adotados pela empresa. No caso das chapas, vale conferir os aspectos visuais da superfície, além das resistências química e mecânica, que precisam ser comparáveis a do produto original.

O Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico é uma organização criada há 19 anos, com objetivo de promover o uso correto do acrílico, difundir o conhecimento das suas propriedades e aplicações, além de ampliar sua participação no mercado. A entidade, geradora de negócios e difusora de conhecimento para o setor de acrílico, reúne atualmente 30 filiados em todo o país.

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