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11º Encontro Nacional de Ferramentarias começa no próximo dia 17

14/05/2018

Após três anos consecutivos de atividade produtiva muita baixa e faturamento em queda, a economia brasileira dá indicativos, ainda tímidos, de retomada. O cenário tende a induzir parte da classe empresarial a esquecer os efeitos danosos da crise e, assim, desmobilizar-se da tarefa de cobrar políticas governamentais de longo prazo que deem sustentabilidade aos negócios.

A 11ª edição do Encontro Nacional de Ferramentarias (ENAFER), confirmada para os dias 17 e 18 de maio, em Caxias do Sul, RS, tem como um de seus propósitos manter o empresariado mobilizado, especialmente em torno da definição do Programa Rota 2030, fundamental para que a indústria de ferramentaria crie condições para vislumbrar seu negócio no longo prazo. “Não podemos, em função de um sopro de retomada, baixar a guarda e esquecer de todas as dificuldades pelas quais passamos e que ainda não foram totalmente superadas. Construir uma política estruturante de longo prazo é vital para a continuidade do setor e isto será pauta central no 11º ENAFER”, afirma Christian Dihlmann, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (ABINFER), organizadora do evento, que deve receber em torno de 300 participantes, número similar aos de anos anteriores.

De acordo com Dihlmann, o mercado segue em situação delicada e instável. “Temos de discutir e definir, desde já, uma política industrial de Estado e não de governo. O programa Rota 2030 é o caminho neste momento e por ele precisamos estar mobilizados, mostrando isto no 11º ENAFER, com grande participação”, convoca.

O presidente da ABINFER destaca a presença, no evento, do ministro Marcos Jorge, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), que falará sobre a importância do programa Rota 2030 para o futuro da indústria automotiva e de ferramentaria no Brasil, em palestra agendada para às 13h35 do dia 18. “O ministro precisa ver que o empresariado está mobilizado nesta demanda e sentir a pressão do setor, por meio de uma grande participação no evento”, reforça.

Gelson de Oliveira, vice-presidente técnico da ABINFER, acrescenta que as regras do jogo devem ser claras para que o empresário possa definir a sua estratégia de negócio, direcionando ações para o mercado interno ou apostando no externo. Segundo ele, o InovarAuto, programa que pautou as políticas do setor automotivo nos últimos anos e que se encerrou em 31 de dezembro de 2017, garantiu que as ferramentarias se mantivessem ativas, mesmo com as dificuldades decorrentes da crise. “Teria sido muito pior sem o InovarAuto. Por isso, a necessidade urgente da aprovação do Rota 2030”, sustentou.

Oliveira, empresário do setor em Caxias do Sul, lembrou que, atualmente, a capacidade instalada nas ferramentarias atende em torno de 30% das demandas da indústria automotiva. Atualmente, o índice médio de atendimento é de 15%. “No momento, quem determina como e onde serão feitos os moldes é a matriz das montadoras. Por isso, a saída para resolver esta equação é uma política governamental, importante, inclusive, para as montadoras”, assinala.

Mas pondera que, mesmo com estas ações, será longo e penoso o período para que as ferramentarias atinjam níveis de produção de anos anteriores. “Mesmo já sendo reconhecidos por nossa qualidade, aqui e no exterior, as empresas terão de investir em equipamentos, processos e softwares de última geração”, alertou. E para que o ritmo destes ajustes seja rápido, serão necessárias fontes públicas de financiamentos, porque as empresas, em sua maioria, não tem força financeira para investimentos expressivos, afirma Oliveira. “Não queremos nada de graça, pois temos de ser competentes. Mas sem uma política clara, os clientes escolherão fornecedores onde os impostos são menores e as tecnologias e os equipamentos estão disponíveis em abundância”, salientou.

Dihlmann destaca que o empenho da ABINFER em torno do programa Rota 2030 está alinhado com a própria estratégia do governo de criar condições para o desenvolvimento do setor automotivo. Ele lembra que veículos e casa própria são sonhos permanentes do consumidor brasileiro. “Considerando que os ferramentais são determinantes na produção de veículos, precisamos aproveitar para organizar e consolidar o setor neste momento onde o governo direciona grande energia para a indústria automotiva”, reforçou o dirigente, observando que, ao contrário do automotivo, onde novidades são rotineiras, na construção civil, outro forte mercado das ferramentarias, o ciclo de vida dos produtos é mais longo. Assegurou, no entanto, ser objetivo da entidade lutar também por programas de incentivo em outros setores, como eletrodomésticos, embalagens e a própria construção civil.

Programação terá dois dias

Nas 10 edições anteriores, o ENAFER concentrou suas atividades em um único dia, visando oferecer ao máximo informações estratégicas para o empresário. Como forma de atender a uma demanda de patrocinadores, que passam de 60 marcas nesta edição, a organização optou por criar um dia específico para tratar de temas técnicos. Desta forma, a quinta-feira, dia 17 de maio, será reservada para workshops, desenvolvidos em salas com capacidade para até 70 participantes e apresentados por patrocinadores, que divulgarão produtos e serviços. Na avaliação de Christian Dihlmann, presidente da ABINFER, a maioria dos participantes destes encontros será formada por empresários locais ou regionais.

Os workshops técnicos ocorrerão em salas da Universidade de Caxias do Sul, a partir de 8h. Até o momento estão confirmadas palestras conduzidas por representantes das marcas Top Solid, Polimod, +GF+, Casafer, Villares Metais e Produttare. As inscrições gratuitas podem ser feitas diretamente em http://www.enafer.com.br/workshops-tecnicos/.

A programação do 11º ENAFER terá início na quinta à noite, 17 de maio, com jantar de confraternização. Na sexta-feira, a abertura oficial está programada para 9h, com manifestações de Jaime Lorandi, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho, e de Christian Dihlmann, da ABINFER.

A programação contempla quatro palestras, duas mesas redondas, assembléia geral da ABINFER, almoço e intervalos para relacionamento. Todas as atividades serão concentradas no UCS Teatro, no Bloco M da Universidade de Caxias do Sul. As inscrições gratuitas podem ser feitas em http://www.enafer.com.br, onde também está disponível toda a programação.

Fonte: Assessoria de Imprensa: Abinfer

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Fórum Plastech Brasil debateu Programa Inovar Auto e contou com representantes de setores envolvidos

31/08/2015
  • Luiz Moan (presidente da Anfavea): “Onda de pessimismo é um crime”
  • Em Caxias do Sul (RS), Moan dá sinal positivo de montadoras à criação de bureau nacional de engenharia e defende potencial de mercado nacional
Da esquerda para a direita: Paulo Sérgio Furlan Braga (Coordenador do APL de Ferramentaria do Grande ABC), Luiz Moan (Presidente da ANFAVEA), Maria Paula Merlotti (coordenadora executiva do Setor Automotivo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia - RS) e Carlos Manoel de Carvalho (vice-presidente da Abinfer, coordenador do APL de Ferramentaria do Grande ABC)

Da esquerda para a direita: Paulo Sérgio Furlan Braga (Coordenador do APL de Ferramentaria do Grande ABC), Luiz Moan (Presidente da ANFAVEA e diretor da General Motors), Maria Paula Merlotti (coordenadora executiva do Setor Automotivo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia – RS) e Carlos Manoel de Carvalho (vice-presidente da Abinfer e coordenador do APL de Ferramentaria do Grande ABC)

O segundo dia do Fórum Plastech Brasil dedicou um painel aos desafios e oportunidades do programa Inovar-Auto.  O evento, que ocorreu na quarta-feira (26), pela manhã, no Parque de Exposições da Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS), aconteceu em paralelo à Plastech Brasil 2015, feira voltada aos mercados de plástico, borracha, compósitos, reciclagem e transformados automotivos, organizada pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás). A exposição foi realizada na semana passada, de 25 a 28 de agosto, das 14h às 21h.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, destacou durante o seu pronunciamento que o que mais abala o humor do mercado brasileiro é a ação humana:

“Cometemos o crime de entrar nessa onda de pessimismo e conseguimos deixar o consumidor com medo. O trabalhador fica com medo de perder o emprego e não gasta. E quando o consumidor não gasta, a economia não gira. E quando a economia não gira, o trabalhador perde o emprego. O momento é difícil, sim. Mas é um momento”.

O executivo apresentou números que sustentam a perspectiva do avanço considerável da indústria automotiva a longo prazo. Caso o país mostre capacidade de crescer pelo menos 3% ao ano pelas próximas duas décadas, atingirá condições de vender anualmente mais de 7 milhões de unidades de veículos. Em 2015, as vendas do setor devem fechar abaixo de 3 milhões.

“Estamos trabalhando para melhorar a cadeia produtiva e sair dessa situação. Pouca gente sabe o tamanho do mercado automotivo brasileiro. O potencial é enorme”, ponderou Moan.

Antes que alguém perguntasse de que forma o futuro volume seria absorvido pelo mercado e pela própria estrutura do país, Moan apontou para as cidades de até 500 mil habitantes, que correspondem a 98% dos municipalidades brasileiras, contando com 73% da população e – mais importante – possuindo uma faixa de consumo que cresce acima da média nacional.

“Mercado, temos. Futuro, temos. Só não podemos cometer o crime de deixar que essa onda de pessimismo nos abale. E não podemos cometer o erro de ficar parados. Temos de trabalhar para superar este momento. É um momento. Através do trabalho, vamos mudar este país”, arrematou, Moan, sob aplausos.

“Vamos botar nosso pessoal na rua com vocês”

Aplausos semelhantes foram dedicados ao diretor de Organização do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, José Roberto Nogueira da Silva, o Bigodinho. O dirigente sindical apresentou as ações desenvolvidas em conjunto com o Arranjo Produtivo Local (APL) de Ferramentais e a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC:

José Roberto Nogueira da Silva, Bigodinho, diretor de Organização do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

José Roberto Nogueira da Silva (Bigodinho), diretor de Organização do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

“A situação não está fácil no ABC, está muito difícil mesmo. Mas trabalhamos junto com as montadoras. Agora, por exemplo, estamos pressionando o governo pela política de renovação da frota de caminhões. E se para isso precisarmos mobilizar os trabalhadores para fazer as nossas caminhadas – que sabemos fazer – , vamos fazer. Vamos botar nosso pessoal na rua com vocês”, declarou, arrancando palmas do público de empresários.

Bigodinho destacou as chamadas Ações Pró-Ativas desenvolvidas conjuntamente por trabalhadores, empresários, integrantes do APL, da Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC e do governo com o intuito de efetivar a aplicação do programa Inovar-Auto, que estimula a nacionalização de conteúdo pela cadeia automotiva.

Os quatro eixos pleiteados envolvem a manutenção dos atuais acordos comerciais com o México (impedindo o aumento de importações de veículos daquele país), uma linha de financiamento específica para as ferramentarias, a criação de um observatório de ferramentarias (para certificar a nacionalização de conteúdo e de aplicação de recursos obtidos pelas empresas com o BNDES) e, o mais desejado de todos, a criação de um bureau de engenharia.

“Quem não veio merece o puxão de orelha, porque tinha que estar aqui para saber o que está acontecendo. Temos de decidir se queremos ser fabricantes de conteúdo próprio ou apenas montadores. E temos de nos unir não só quando estamos em crise. Porque depois que a crise passa, cada um corre pro seu lado. O momento é muito difícil. Precisamos achar alternativas. Fazer algo diferente.”,  acrescentou Bigodinho.

Sinalização positiva de montadoras a bureau de engenharia

No debate que se seguiu ao painel, o secretário-executivo da Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC, Giovanni Rocco Neto, indagou ao presidente da Anfavea, Luiz Moan, quanto à estagnação do projeto – já concluído há cerca de dois anos – que cria um bureau nacional de engenharia. De acordo com Neto, as montadoras contam com um fundo de recursos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão especificamente destinado a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), que poderia estimular as ferramentarias no contexto do Inovar-Auto.

Moan respondeu que o avanço do projeto pelo Senado depende apenas de “união verdadeira” entre os três grandes pólos de ferramentarias do país.

“Os principais estão aqui (em Caxias do Sul), em Joinville (SC) e no ABC. A localização pode ser diluída – isso agora é o que menos importa. Mas tem que ser um verdadeiro bureau de engenharia nacional. Em prol das ferramentarias, eu defendo um bureau de engenharia nacional”, concluiu o executivo.

Idéias em debate

“Esse bureau de engenharia tem tudo a ver com o que precisamos e estamos trabalhando.”

Maria Paula Merlotti (coordenadora executiva do Setor Automotivo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul)

“Nosso pensamento é de quanto mais tempo durar o Inovar-Auto, melhor.”

Rodrigo Machado Bolina (coordenador-geral das Indústrias de Máquinas Agrícolas e Rodoviárias substituto no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)

“Entendemos que o Inovar-Auto teria de ser uma política de Estado, independentemente de governo.”

Carlos Manoel de Carvalho (vice-presidente da Abinfer, coordenador do APL de Ferramentaria do Grande ABCD)

“Quando ninguém acreditava, nós conseguimos fazer uma mudança e criar um programa de adensamento de cadeia produtiva. Podemos fazer mais.”

Paulo Sérgio Furlan Braga (presidente da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações da ABIMAQ, vice-presidente da ABINFER, coordenador do APL de Ferramentaria do Grande ABCD Paulista)

Fonte: Assessoria de Imprensa – Plastech Brasil / Fotos: Gabriel Lain

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