Posts Tagged ‘Copo Plástico’

Empresa catarinense produz copo compostável a partir de Ácido Polilático

12/02/2014

Minaplast começa a distribuir em março produto que se decompõe em 90 dias

Minasplast_coposA empresa catarinense Minaplast começa a inserir no mercado de descartáveis plásticos o primeiro copo descartável compostável de fabricação brasileira. O produto, chamado de Green by Minaplast, usa como matéria-prima o ácido polilático (PLA), fabricado a partir de plantas como o milho e que, em usina, se decompõe totalmente em um prazo de 90 a 120 dias.

Só no primeiro semestre deste ano serão produzidos 10 milhões de copos com capacidade para 200ml e 300ml.  A distribuição do produto será gradativa, iniciando em março pelas grandes redes varejistas do sudeste do Brasil. A matéria-prima empregada no Green é da marca Ingeo, importada dos Estados Unidos e com todas as certificações internacionais de compostabilidade exigidas também pela Europa e Japão, e que não utiliza petróleo em sua composição. Como o ácido polilático não tem resistência ao calor os copos compostáveis só poderão ser utilizados para servir bebidas frias ou geladas.

O diretor da empresa, Hemerson De Villa, acredita que mesmo dependendo de matéria-prima com custo até 40% maior que a necessária para a produção de copos descartáveis comuns, o produto é viável e representará uma nova fase para a Minaplast, com foco na inovação. “Quando iniciamos os testes em 2008 esta mesma matéria-prima custava o dobro do valor da matéria-prima tradicional”, compara. “Em 2012 retomamos os testes e fizemos as adaptações necessárias nos equipamentos para a produção do Green. O processo levou um ano e meio e como não há no Brasil uma máquina específica para a produção deste tipo de copo, um dos diferenciais competitivos está justamente no know how da Minaplast, que começou sua trajetória como fabricante de máquinas e até hoje mantém dentro da empresa conhecimento técnico para implantar inovações em seu parque fabril sem precisar de investimentos mais impactantes”, explica De Villa.

A discussão cada vez mais frequente em torno da sustentabilidade, de acordo com o diretor, reforça a necessidade de apostar no produto compostável. “O Green é uma alternativa para atender esta demanda por produtos mais sustentáveis. É uma mudança gradual de comportamento e a Minaplast saiu na frente ao contemplar este público que não quer abrir mão da praticidade dos descartáveis, mas se preocupa com sua participação na preservação do planeta”, declara o diretor.

Mais sobre a Minaplast – Fundada em 1977 em Urussanga, sul de Santa Catarina, a Minaplast está entre as primeiras indústrias de descartáveis instaladas no Brasil e é referência no setor na produção de copos, pratos, potes e tampas descartáveis. Com distribuição em todos os estados brasileiros com as marcas Minaplast e Brasileirinho, tem produção anual de 8 mil toneladas de poliestireno transformado. A empresa registrou em 2013 faturamento de R$ 73 milhões.

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Pesquisadores da UFRJ desenvolvem método inédito para reciclagem de plástico

26/07/2010

Amostras de polímeros no laboratório da Coppe: é possível produzir plásticos reaproveitando até 40% de material plástico já utilizado

Do plástico usado ao plástico novo.  Pensando em minimizar os efeitos ambientais negativos do excesso de plástico descartado sem critérios pela sociedade, pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) desenvolveram uma nova técnica de reciclagem desse material. Testes realizados no Laboratório de Modelagem, Simulação e Controle de Processos da instituição mostraram que é possível criar resinas plásticas produzidas a partir do reaproveitamento de até 40% de material plástico já utilizado.

O método escolhido pela equipe foi a reciclagem com produção in situ, que possibilita incorporar materiais plásticos usados a plásticos virgens no próprio ambiente da reação química. Por meio da polimerização em suspensão, foram realizadas misturas moleculares de poliestireno reciclado e de poliestireno virgem, usando copos descartáveis. “A técnica é simples. Basicamente dissolvemos o plástico usado numa solução com reagentes e depois adicionamos o material direto no reator para fazer mais plástico”, diz o professor José Carlos Pinto, responsável pelo projeto.

Ao contrário de outras técnicas de reciclagem, como a mecânica, esse método mantém a qualidade do produto final, pois a adição de plásticos reciclados não interfere no andamento da reação química de polimerização. “O plástico usado foi reincorporado como matéria-prima do processo sem grandes transformações químicas. As propriedades finais do produto são similares às propriedades dos polímeros não-reciclados”, assinala.

Além de copos descartáveis, a técnica pode ser empregada com outras famílias de materiais à base de poliestireno, de poliacrilatos, de polimetacrilatos e de poliacetatos, como aqueles utilizados para fabricar capas de CD, isopor, interiores de geladeira e carcaças de televisão, entre outros produtos. “O próximo passo é testar a técnica com cargas de isopor recicladas. O isopor não é biodegradável, mas pode ser facilmente reciclado e utilizado para fabricar isopor novo”, adianta José Carlos.

A Coppe já encaminhou ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a solicitação de patente para a nova técnica, que poderia ser facilmente incorporada ao setor produtivo para uso em escala industrial, devido ao seu baixo custo. “Para as fábricas se adaptarem a essa tecnologia, precisariam apenas fazer pequenos ajustes, como adicionar na linha de produção um recipiente para misturar o plástico reciclado com os reagentes”, explica.

Impactos da reciclagem

Testes com polímeros de copo plástico mostram que a nova técnica mantém a qualidade do produto final da reciclagem

De acordo com o professor José Carlos Pinto, a reciclagem é a melhor resposta diante do debate sobre usar ou não usar o plástico. “A questão maior não é se devemos usar ou não o plástico, mas o que devemos fazer com ele depois do seu ciclo de uso”, destaca o engenheiro químico, lembrando que o plástico deve ser tratado como uma matéria-prima potencialmente reutilizável, e não como lixo.

O professor ressalta os impactos ambientais positivos da transformação de plástico em plástico. “A reciclagem contribui para reduzir a quantidade de material descartado no meio ambiente, pois o utiliza como matéria-prima para produzir novos materiais plásticos. Ao ser reciclado, se economiza o petróleo que seria utilizado para fazer plástico novo e isso certamente contribui para a redução da emissão de carbono na atmosfera”, diz.

A reciclagem do plástico também pode resultar em consideráveis impactos econômicos e sociais. “A reciclagem pode estimular a valorização econômica dos resíduos plásticos. Eles têm baixo valor agregado, apesar de serem derivados do petróleo, e por isso são facilmente descartados pela população”, avalia. “Ela também pode gerar empregos por incentivar a coleta seletiva de plástico por cooperativas de catadores de lixo”.

Plásticos são materiais formados pela união de grandes cadeias moleculares chamadas polímeros, que por sua vez são formadas por moléculas menores, chamadas monômeros. Estima-se que no Brasil pelo menos 2,2 milhões de toneladas de plástico pós-consumo (descartados após o uso) se acumulam anualmente, segundo dados da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos – entidade que representa institucionalmente a cadeia produtiva do setor para divulgar a importância dos plásticos na vida moderna e promover sua utilização ambientalmente correta.

Além do professor José Carlos Pinto, fazem parte da equipe os alunos Caio Kawaoka, que é Bolsista Nota 10 da FAPERJ, e Carlos Castor. Eles dedicaram as suas dissertações de mestrado ao tema. O estudo foi contemplado pelos editais Cientista do Nosso Estado e Estudos e Soluções para o Meio Ambiente, da FAPERJ.

Fonte:  FAPERJ (Débora Motta)