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Novo purificador de flakes de PET da Tomra potencializa indústrias de reciclagem

30/05/2019

Carina Arita, Diretora da Tomra Brasil, explicando o funcionamento do Innosort Flake durante a Feiplastic 2019

Ao lançar recentemente o seu equipamento purificador de flakes de PET Innosort Flake, a Tomra busca cada vez mais adaptar-se a diferentes demandas e especificidades do mercado de reciclagem e reaproveitamento de resíduos plásticos.

O Innosort Flake corresponde a mais um passo da Tomra para atender de forma específica ao crescimento do mercado de flakes de PET e às exigências de alta pureza do produto que são demandadas, por exemplo, pela tecnologia bottle-to-bottle de reciclagem de resíduos de PET oriundos de garrafas plásticas.

Esse mercado já vinha sendo atendido pela linha de produtos Autosort Flake. Porém, segundo Carina Arita, Diretora Comercial da Tomra Brasil, o Autosort Flake corresponde a um produto de categoria “super-premium“, aplicando-se simultaneamente à purificação de flakes de vários tipos de materiais plásticos, tais como PE, PP e PET, além de perfis de janelas de PVC. Em plantas que trabalham somente com flakes de PET, algumas funcionalidades do Autosort Flake terminam sendo utilizadas abaixo do seu potencial pleno. Com o lançamento do Innosort Flake, afirma Carina, o reciclador pode dispor de um produto com recursos “Premium“, específico para sua aplicação, com uma relação custo-benefício otimizada, além de altos rendimento e grau de pureza.

“Tanto o Autosort Flake como o Innosort Flake trabalham com tecnologias de duplos sensores: Infravermelho próximo (NIR) e Câmera (RGB). Todavia, enquanto o Autosort Flake opera com 16 faixas de espectro, contemplando a separação de materiais como poliolefinas (PE,PP), PVC e PET – além da separação por cores -, o foco do Innosort Flake é a purificação do PET, operando com 4 canais. Neste caso, os outros materiais diferentes do PET são tratados como contaminantes”, explica Carina.

As aplicações de PET reciclado, especialmente na indústria de envase, requerem um grau de pureza muito alto – daí a necessidade de um equipamento com tecnologia dedicada à separação de flakes de PET. “Para aplicações de outros tipos de material reciclado (PE, por exemplo), as exigências de pureza não são tão elevadas quanto às do PET”, complementa Carina.

Com tecnologia patenteada Flying Beam, o Innosort Flake oferece uma resolução ultra-alta e identificação de polímero de 2 mm. A solução permite a remoção de vastas proporcões de contaminantes e reduz significativamente possíveis perdas de flakes de PET, afirma Carina.

O Innosort Flake detecta as propriedades do material de diversos polímeros, bem como as cores dessas frações, incluindo materiais transparentes e opacos. Esta purificação do PET resulta em maiores níveis de qualidade e maior rendimento, com capacidade de processamento de até 4,5 toneladas, garante a Tomra.

As principais aplicações do Innosort são a purificação de flakes de PET, a purificação de flakes transparentes e opacos e a seleção de flakes de cores misturadas.

Além do Innosort Flake, a Tomra esteve promovendo outros produtos aplicados à separação e purificação de resíduos sólidos durante a Feiplastic 2019, no mês passado, em São Paulo:

  • Autosort: Com foco na separação e classificação, o Autosort tem aplicações em correntes de resíduos em Coleta Seletiva (termplásticos, caixa de bebidas, papelão, vidro), Resíduos Sólidos Urbanos (termplásticos, papel misto, papelão, metais), Termoplásticos em geral (PET, PP, PVC, PS, PEBD, PELBD, PEAD, bandejas, garrafas, etc) e outras.
  • Autosort Flake: O sistema tem foco na purificação de correntes de material plástico, combinando a detecção de cores, materiais e metais de forma simultânea, com alta pureza e rendimentos. As principais aplicações são a purificação de flakes de PET, flakes de PE/PP e Purificação de PVC
  • Autosort Fines: Foi projetado para separar frações pequenas (granulometrias menores) em diversas aplicações, em particular resíduos Eletroeletrônicos contendo PS, ABS, PC, PPO, PPE, PBT, PMMA, PP e PE
  • Autosort Laser: Baseado nos sensores laser, eletromagnético e NIR, o equipamento permite a separação de vidro a partir de resíduos domiciliares e resíduos comerciais e industriais, separando-o de resíduos de cerâmica, pedras, porcelana, metais e plásticos

Uma aplicação em destaque durante a feira foi a separação de Garrafa PET vs. Bandeja PET monocamadas. O modelo anterior do Autosort já separava bandejas multicamadas. A inovação em destaque é comercialmente significativa pois pequenas e críticas diferenças nas propriedades químicas das bandejas de PET para alimentos e garrafas PET significam que elas devem ser separadas para reciclagem com produtos equivalentes.

Além disso, a Tomra acaba de lançar no Brasil uma plataforma de dados baseada em cloud, o Tomra Insight, que abre novas e valiosas oportunidades para os usuários dos sistemas de seleção. Esses dados podem transformar a triagem de um processo operacional em uma ferramenta de gerenciamento estratégico para a tomada de decisões em todas as etapas do valor e da cadeia de produção. O Tomra Insight transforma as máquinas de seleção em dispositivos conectados que geram dados do processo. A nova plataforma coleta esses dados na nuvem e os transforma em informações de produção acessíveis por meio de uma interface da web.

A Tomra Sorting Recycling projeta e fabrica sistemas de seleção por sensores para a indústria global de reciclagem e gestão de resíduos. Segundo a empresa, mais de 5.500 sistemas foram instalados em 80 países em todo o mundo. A Tomra Sorting é de propriedade da empresa norueguesa Tomra Systems ASA, fundada em 1972. A empresa tem um volume de negócios anual de cerca de € 750m, e emprega mais de 3.500 funcionários ao redor do mundo.

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Entrevista com Carina Arita – Diretora Comercial da Tomra Sorting Recycling Brasil

11/11/2015
Carina Arita

Carina Arita

A Tomra Sorting Recycling concebe e fabrica tecnologias para a separação baseada em sensores para a indústira da reciclagem e da gestão de resíduos. Conta com mais de 4400 sistemas instalados em 40 países.. Responsável pelo desenvolvimento do primeiro sensor de infravermelhos próximos do mundo para aplicações no campo da reciclagem de resíduos, a Tomra Sorting Recycling faz parte da Tomra Sorting Solutions, que também desenvolve sistemas baseados em sensores para a separação, despela e controle de processos para a indústria alimentar e de mineração, entre outras. A Tomra Sorting está no Brasil desde 2011, por meio de sua filial, e conta com equipe para instalação e manutenção de seus próprios equipamentos Titech. O Blog do Plástico entrevistou a Diretora Comercial da Tomra Brasil, Carina Arita

Blog do Plástico: Carina, qual o tipo de sistema de separação de resíduos plásticos para reciclagem dominante hoje no mercado brasileiro ?

Carina Arita: Atualmente predominam sistemas manuais. Entretanto com a necessidade de aumento de escala, qualidade e pureza, as empresas estão buscando tecnologias de sistemas automatizados para a seleção.

BP – Quais são os desafios com que se depara o mercado brasileiro em matéria de reciclagem de plásticos?

CA – Como muitos outros países em desenvolvimento, o Brasil se esforça para crescer e ainda combater a pobreza e a desigualdade, promovendo a inclusão social dos grupos e comunidades mais desfavorecidos. Um destes grupos é o dos catadores de resíduos. Apesar das condições sociais e de trabalho precárias, os catadores constituem a base da cadeia produtiva de reciclagem, pois estima-se que, atualmente, 90 % de todo o material reciclado no Brasil seja recuperado por suas mãos. Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima em cerca de 400.000 o número de catadores existentes no Brasil, enquanto o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) garante chegar a 800.000 o número de trabalhadores dedicados a essa atividade. É um grupo tão importante que o texto legal da Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010 estabelece como um de seus objetivos a integração dos catadores nos sistemas formais de gestão de resíduos e destaca para os recicladores o quanto pode ser rentável a sua inclusão no setor formal.

BP – Pela experiência da Tomra Sorting Recycling no Brasil, qual o perfil padrão do cliente de seus sistemas de separação de resíduos plásticos?

CA – Todas aquelas empresas que apresentam em seu processo produtivo uma etapa de triagem e seleção de tipos de plásticos e cores, sejam eles fabricantes de resina reciclada ou aparistas. Como o mercado ainda esta em desenvolvimento, não ha um perfil padrão estabelecido. Assim, a Tomra conta com uma equipe especializada em assessorar as empresas a desenvolverem a solução ideal, seja ela completa ou em fases, buscando o melhor custo-beneficio.

BP – Que vantagens estão associadas à utilização dos processos de automação da Tomra Sorting Recycling?

CA – Os equipamentos Autosort facilitam o trabalho dos triadores, realizando as tarefas de separação mais complicadas que envolvem as frações mais difíceis de identificar visualmente, tais como distinguir o polietileno de alta densidade (PEAD) do polipropileno (PP). Limpando e removendo as impurezas, o Autosort deixa apenas os materiais que interessam recuperar, sem necessidade de se trabalhar entre dejetos orgânicos ou sanitários insalubres.

Além disso, os equipamentos Autosort permitem utilizar vários programas de trabalho distintos para separar diferentes materiais, como por exemplo PET, PEAD, PP ou filme de PEAD, separando-os também por cores. Os triadores trabalharão em tarefas de separação por cores e dos materiais mais fáceis de identificar, como PET e Tetrapak. Isso incrementa a produtividade e a rentabilidade de todo o processo e garante a qualidade dos produtos separados, o que leva a lucros maiores na venda dos subprodutos.

BP – Pela experiência da Tomra Sorting Recycling no Brasil, em quanto tempo, em média, retorna o capital investido no sistema de separação de refugos plásticos da Tomra ?

CA – O retorno de investimento do sistema de separação ótica (considerando inclusão desta etapa em linha pre-existente) é estimado de 1 a 3 anos.

BP – Quais são a infraestrutura adequada para uma boa operação do sistema da Tomra ?   

CA – Cada projeto é elaborado para necessidades especificas, de forma customizada e única. Descrevo a seguir um exemplo de solução simplificada:

O processo começa quando os resíduos a serem separados são levados por uma pá carregadeira a uma moega e uma esteira de alimentação. Em seguida, há uma primeira cabine de controle manual. Aqui os elementos volumosos, que podem frear ou bloquear o processo, são retirados e depositados em contêineres localizados abaixo da cabine. Depois desse controle estão localizados os rasgadores de sacos, encarregados de rasgar os sacos para facilitar o esvaziamento dentro do separador balístico que vem em seguida. Este equipamento separa os elementos rolantes e pesados (3D) dos achatados e leves (2D), ou seja, separa as garrafas plásticas do papel e papelão e dos filmes de plástico. Acima da linha de rolantes (3D), que é a mais abundante, está um equipamento separador Autosort que identifica e separa os plásticos por tipo e cor. Em uma primeira etapa, o equipamento separa o polietileno de alta densidade (PEAD), que segue pela esteira transportadora até uma cabine de controle. Ali é separado manualmente: o PEAD natural, para um lado e o PEAD colorido, para outro. Há grande vantagem nessa prática: um plástico PEAD, difícil de ser distinguido visualmente do polipropileno (PP), é retirado da linha antes de entrar na cabine de triagem secundária. Nessa cabine, triadores enfileiram-se de ambos os lados da esteira de triagem e separam os elementos mais simples de serem identificados: filme plástico, PET, PP e Tetrapak. Posteriormente o PET será reprocessado através do Autosort (“programa 2”), que separa o PET transparente do colorido, deixando uma última separação, a do PET verde das demais cores, para a cabine de controle manual. Por último, o PP será reprocessado através do Autosort (“programa 3”) que irá soprar o PP natural para separá-lo das outras cores. Como vantagem, com um só equipamento Autosort é possível separar diferentes materiais, bastando apenas alterar o programa de trabalho. Deste modo, o processo é uma perfeita combinação de maquinário e trabalhadores, para obter os padrões máximos de eficiência, qualidade e de segurança e saúde no trabalho.

BP – Qual é o ranking do sistema Autosort da Tomra entre as principais tecnologias para seleção e separação de resíduos plásticos comercializadas no Brasil?

CA – O sistema Autosort é o mais vendido pois se trata de um sistema multifuncional baseado em sensores capaz de identificar cada um dos polímeros (PET, PEAD, PP, PS, PVC, ABS, etc.), papel, papelão, tetrapak – por critério de material e de cor. E como esses são os materiais recicláveis com mais abundância no resíduo urbano, torna-se o sistema com as aplicações mais comuns. Além de poder trabalhar em linha ou de forma independente.

BP – Quais os diferenciais técnicos oferecidos pelos sistemas de separação de resíduos plástico da Tomra Sorting em relação aos outros existentes no mercado ?

CA – Considerando a nossa tecnologia diferenciada (flying beam com duoline), ela atinge maior resolução com baixo ruído de sinal, resultando em maior eficiência, produtividade e pureza. Com o lançamento da nova geração recentemente, promovemos uma otimização do sistema com a redução de fontes de iluminação infravermelho, consequentemente reduzindo o consumo elétrico em 70%. E o novo modulo de válvulas de ejeção apresentam velocidade superior a 1ms.

BP – Como funcionam as tecnologias Duoline e Flying Beam?

CA – A tecnologia flying beam de espelho poligonal rotativo é utilizada para a distribuição da iluminação e para a captação do espectro refletido focalizando principalmente o ponto de leitura, desta forma é possível varrer a largura da esteira toda, realizando essa leitura em duas linhas de pixels (duoline) obtendo as informações de material, cor, formato e posicionamento na esteira. Realizando tudo isso com rapidez, baixo consumo elétrico e alta performance.

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