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Aumentos de preço de resinas opõem Braskem e transformadores de plásticos

12/02/2014
Jose Ricardo_Abiplast

José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast

Segundo matéria publicada pelo Valor Econômico, o reajuste dos preços das resinas termoplásticas no mercado doméstico aumentou a tensão entre o setor de transformação plástica e a petroquímica Braskem. De um lado, os transformadores que adquirem resinas de polietileno, polipropileno e PVC da Braskem sustentam que ocorreram aumentos de preços nos meses de janeiro e fevereiro, com nova rodada já anunciada para o próximo mês. A Braskem, por sua vez, afirma que segue rigorosamente a política comercial de seguir a variação dos preços internacionais das resinas, havendo neste momento, inclusive, defasagem na comparação com os níveis de preços praticados no mercado externo.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), que congrega as empresas transformadoras de plásticos, a Braskem teria aplicado um reajuste médio de 6% em janeiro e outro de 8% no mês de fevereiro, tendo também anunciado novo reajuste para março, em média de 4%. A  petroquímica, por sua vez,  diz que haverá um aumento de 3% a 4% nos preços das resinas no mercado doméstico em fevereiro, na tentativa de diminuir a defasagem de 8%, acumulada em três meses, em relação os preços internacionais das resinas plásticas

De acordo com o vice-presidente da área de Poliolefinas e Renováveis da Braskem, Luciano Guidolin, as cotações do Polietileno, Polipropileno e PVC produzidos pela empresa variaram entre um decréscimo de 0,5% e um aumento de 3,1% nos últimos 90 dias, tomando como base os valores de outubro. Afirma Guidolin que a alta dos preços no mercado internacional, considerando-se a variação cambial, foi de até 10% no mesmo período. Sem levar em conta a variação cambial, essas cotações variaram de -0,5% a 2,3% no período.

Segundo Guidolin, ainda não há política de preços anunciada para março. “Vamos observar a flutuação dos preços no mercado internacional”, diz o vice-presidente. “Os valores colocados pela Abiplast não estão corretos e me surpreende não haver comentário sobre os meses de outubro e novembro, quando houve queda dos preços da Braskem”.

Do lado das empresas de transformação, as associadas à Abiplast têm realizado reuniões extraordinárias para avaliar o cenário de preços e o instante “dramático” do setor, de acordo com o presidente da entidade, José Ricardo Roriz Coelho. Nas circunstâncias atuais, afirma Roriz, a rentabilidade das empresas de transformação plástica é em média 30% menor que a da indústria de transformação brasileira em geral. “Não queremos importar matéria-prima. Queremos preço local competitivo”, afirma.

Segundo Roriz, hoje, os preços das resinas plásticas no mercado doméstico embutem um prêmio que varia de 30% a 40% em relação às cotações das mesmas no mercado internacional. Tal diferença, explica, é devida à “incorporação” de impostos e outros gastos que incidem sobre as resinas importadas ao preço da resina produzida no Brasil. Luciano Guidolin, todavia, argumenta que não é adequada a comparação entre preços de exportação de outros países e os preços internos praticados  no Brasil. “O certo é olhar preço interno. Os preços domésticos do Brasil são semelhantes aos preços internos na Europa”, afirma Guidolin.

Segundo avaliação de Roriz, as cotações internacionais das resinas nos últimos meses subiram mais por causa do câmbio do que por algum desequilíbrio entre oferta e demanda. E esse movimento foi prontamente acompanhado pela Braskem. “Mas, no Brasil, os aumentos são potencializados pelo câmbio, uma vez que a resina é dolarizada”, ressalta. Uma possível alternativa para os transformadores seria importar mais resina. A conta final, porém, pode resultar em valores semelhantes aos praticados pela Braskem quando incluídos todos os gastos para internação do insumo, além de imposto de importação e eventuais medidas antidumping, de acordo com Roriz.

Segundo avaliação da Braskem, a queixa do segmento de transformação não reflete a realidade da indústria, já que houve um crescimento de 8% na demanda por resinas da companhia na comparação com 2012. “A demanda foi 8% superior refletindo a melhora da indústria”, diz. A Braskem ressalta ainda que a expressiva importação de resinas plásticas demonstra que o mercado brasileiro é aberto. “Não há barreiras à importação”, diz Guidolin, referindo-se à crítica da Abiplast à adoção de medida antidumping provisória para as importações de Polipropileno  da África do Sul, Índia e Coreia do Sul.

Segundo a Abiplast, a medida corresponde a um acréscimo 6% no preço do Polipropileno oriundo desses três países. “Coreia, África do Sul e Índia são os únicos com capacidade produtiva de PP que permite exportação, além dos Estados Unidos, que já foram alvo de antidumping”, afirma Roriz. A Braskem, no entanto, diz que há outras fontes relevantes de resinas, como o Oriente Médio.

Em 2013, a produção física brasileira de transformados plásticos alcançou 6,66 milhões de toneladas, representando uma alta de 0,13% frente ao ano anterior – a previsão, no entanto, era de crescimento de 1,6%. O faturamento do setor, por outro lado, somou R$ 66,9 bilhões, o que corresponde a um aumento de 7%.

Fonte:  Valor Econômico / Abiplast

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