4º Congresso Brasileiro do Plástico teve como foco a economia circular dos plásticos e inovações tecnológicas

Edição reuniu especialistas de todas as áreas e trouxe a experiência de países como Inglaterra, Portugal, Alemanha e Estados Unidos sobre a economia circular dos plásticos.

O 4º Congresso Brasileiro do Plástico, iniciativa do Instituto SustenPlást,  aconteceu virtualmente na terça-feira (8 de junho). Segundo divulgado pelos organizadores, o encontro bianual teve um crescimento de 460% na audiência, com mais de 2300 inscritos e 100% de participação dos congressistas, que ocuparam as mídias sociais e chats da plataforma e no YouTube, que transmitia em tempo real e no site do cbplastico.com.br. O CBP foi disponibilizado gratuitamente. A edição deste ano contou com mais de 20 palestras, com a participação de especialistas nacionais e de países como Inglaterra, Portugal, Alemanha e Estados Unidos, que se apresentaram trajando roupas azuis em alusão ao Dia dos Oceanos, data escolhida para o 4CBP. O link da sala Jacques Siekierski, com as quase 9h de duração, está disponível no YouTube do 4CBP. A próxima edição está confirmada para junho de 2023.

Segundo Alfredo Schmitt, presidente do Instituto SustenPlást, “foi um momento de muita emoção e gratidão pelo excelente evento que proporcionamos. Acredito firmemente que foi uma edição memorável, que abriu horizontes e ajudou a esclarecer e desmistificar alguns conceitos a respeito do tema. O 4CBP é referência para a busca de informações corretas e científicas”. Durante todo o dia, o Tampinha Legal, programa idealizado pelo Instituto SustenPlást e lançado em 2016 na segunda edição do Congresso Brasileiro do Plástico, foi citado como case por diversos palestrantes, devido à sua exemplar atuação de caráter educativo na promoção da economia circular na prática.

A abertura ficou a cargo de José Ricardo Roriz, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), que afirmou o compromisso do setor com a nova economia do plástico e anunciou o pré-lançamento de um portal da indústria do plástico voltado para a economia circular, bem como um manifesto da ABIPLAST, “A Hora da Economia Circular”.

Outro destaque da manhã foi a palestra de Thais Vojvodic, da Fundação Ellen MacArthur, instituto que trabalha com empresas no mundo todo, desde 2010, com a missão de mudar fundamentalmente a lógica linear para uma economia circular. “Existe uma necessidade muito grande de fazer mais e mais rápido pela circularidade dos plásticos”, afirmou. A Fundação Ellen MacArthur fomenta esta circularidade dos plásticos através de 11 pactos dos plásticos espelhados pelo mundo, que trabalham com a mesma visão da Fundação, porém adaptando ao seu contexto e realidades locais. “O que muitos não devem saber aqui, é que o pacto do Brasil está em fase de desenvolvimento e ficará pronto até o final do ano”, informou.

Ainda, Guido Aufdemkamp, representante da indústria europeia de embalagens flexíveis, e Moisés Weber, diretor da PlastiWeber, apontaram as possibilidades sustentáveis das embalagens plásticas flexíveis na Europa e no Brasil. O engenheiro químico, Filipe Fagundes, trouxe o case do Grupo FCC, que lançou o FCC Antivir, termoplástico com ação antiviral que tem atributos que inativam vírus envelopados. Com eficácia de 99,8% contra a SARS-COV 2, a inovação já está disponível no mercado. Na palestra, o gestor de pesquisa, desenvolvimento e inovação da FCC, Filipe Fagundes, explicou todo o processo de desenvolvimento da solução, que previne a propagação de vírus através das solas de sapato, entre outros produtos.

A diretora de Economia Circular da América do Sul da Braskem, Fabiana Quiroga, apresentou iniciativas da empresa para o fomento de ações de sustentabilidade, a partir da Economia Circular. Ela explicou a metodologia proprietária que a empresa desenvolveu, a fim de auxiliar na tomada de decisão dos clientes da Braskem, ajudando as empresas a alcançar seus compromissos de sustentabilidade para 2025 e 2030. Ainda pela manhã, falaram Gustavo Alvarez, que abordou sobre o trabalho de forma colaborativa como solução para o fomento da economia circular, e o Dr. Júlio Harada, que apresentou elementos e estudos que comprovam a importância dos plásticos rígidos no cotidiano dos brasileiros.

Tarde de troca de experiências

Durante a tarde, Ronald Sasine, Fundador e Consultor Principal da Hudson Windsor Assessoria Empresarial Limitada, analisou a influência de varejistas, consumidores e governos no mercado de embalagens dos Estados Unidos. Para ele, o futuro das embalagens plásticas nos Estados Unidos e no mundo depende da influência de cinco grupos: varejistas, organizações não-governamentais, consumidores, governos e empresas de embalagem (CPGs). “Sem uma relevância no mercado atual, sem a participação do produtor nos desejos e objetivos do consumidor, a lucratividade futura acaba ficando em jogo. Realmente, as empresas precisam ter uma atuação ambiental hoje que contribuam com o objetivo de seus consumidores”, destacou o especialista.

Ressaltando o Dia dos Oceanos, Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP, apresentou programas e ações que têm sido desenvolvidas no Brasil e ao redor do mundo, em esforços para conscientização, monitoramento e redução de impacto dos plásticos nos mares. Turra citou o projeto da Assembleia Ambiental das Nações Unidas (UNEA), que gerou uma plataforma interativa de iniciativas, com orientações práticas que estimulam ações de avaliação e monitoramento do lixo no mar. “O Brasil é o país que mais obteve registros nessa plataforma, resultado de uma grande mobilização”, comentou. Ainda, Marcelo Guerreiro Mason, Head de Sustentabilidade e Marketing da Deink Brasil, falou sobre uma nova tecnologia para obtenção de matérias-primas a partir de embalagens impressas. Seguido pelo presidente da Plastivida, Miguel Bahiense, que trouxe a experiência brasileira do Pallet Zero.

O especialista em polímeros, inovação e novos negócios, Manoel Lisboa, falou sobre o desenvolvimento dos novos materiais e o impacto na evolução da sociedade. Já Albano Schmidt, CEO da Termotécnica, abordou as embalagens plásticas ajudando exportações de alimentos do Brasil. Gerson Haas, presidente do Sinplast/RS e diretor do Instituto SustenPlást, destacou a importância do programa Tampinha Legal na economia circular. Ainda, o evento contou com a participação internacional de Nuno Aguiar, que trouxe as medidas adotadas por Portugal para incentivar um mercado mais circular.

Um dos destaques do 4CBP foi o resultado da enquete “Qual canudo você escolheria?” feita pelo CBP e esclarecida por Marcos Iorio, Consultor da Eco-Circular Projetos Regenerativos que é também professor de Economia Circular, durante o 4CBP, nas mídias sociais e no site do CBP. A enquete provocou sobre os materiais utilizados na produção de canudos (produzidos com materiais diversos como plástico, juta, aço, papel, bambu e vidro) e quais deles o público escolheria. 45% dos participantes respondeu plástico, seguidos por 21% aço, 14% papel, 13% bambu e 2% cada para a juta e o vidro. Segundo Marcos, “geralmente as pessoas escolhem o bambu, pois têm essa ideia que ele remete ao sustentável. Contudo, o canudo de plástico é o que produz o menor impacto ambiental de acordo com a Análise de Ciclo de Vida (ACV). Ainda, para os laváveis como o aço, vidro e bambu, deve-se considerar a carga ambiental utilizada pela água e o detergente”.

Encerramento

No debate final do 4º Congresso Brasileiro do Plástico, com mediação do presidente do Instituto SustenPlást, Alfredo Schmitt, especialistas e empresários do setor chegaram ao consenso de que há muitos desafios a serem superados, mas a cadeia produtiva do material precisa trabalhar unida para conscientizar a sociedade dos efeitos positivos da matéria-prima. “A indústria brasileira de plásticos precisa se unir para valorizar o produto”, ponderou Alfredo, que reforçou o motivo da escolha da data para o evento: o Dia Mundial dos Oceanos, na Semana do Meio Ambiente. O 4CBP se encerrou com uma emocionante homenagem de Jacques Siekierski, fundador da ITAP, lenda viva e pioneiro no mercado de embalagens plásticas que, junto com Israel Sverner, um dos fundadores da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF), foi homenageado ao dar nome à uma das salas do 4CBP.

De acordo com o presidente do Instituto SustenPlást, Alfredo Schmitt, “será um evento completo, informativo e muito rico, não só para a indústria do plástico, mas também para a sociedade civil. O setor do plástico é amplo e pode ser explorado de formas muito positivas. Nosso objetivo é esclarecer o maior número de pessoas, ampliando o seu conhecimento e acesso à informação sobre está matéria-prima nobre, bem como das nossas iniciativas, especialmente aquelas de caráter educativo”, afirma. Ainda, o presidente garante que será uma edição muito especial, com palestrantes escolhidos com muito critério por suas referências e autoridades no assunto.

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