Fabricantes de plástico do Espírito Santo focalizam mercado do agronegócio

Cada vez mais o plástico é utilizado pelo agronegócio, contribuindo para a redução das perdas e o aumento da produtividade, além de desenvolver a função de proteção ao meio ambiente. O material tem diferentes aplicações no campo e pode ser visto do plantio à colheita, trazendo soluções para os sistemas de irrigação, o armazenamento e o transporte dos produtos agrícolas, a cobertura de estufas, o manejo do solo e o controle de pragas.

Esses são apenas alguns exemplos de como a presença do plástico se expandiu nas lavouras. Dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) apontam que o consumo global de materiais plásticos na agricultura passa das 6,5 milhões de toneladas, afirma o Sindiplast-ES. Apesar do número expressivo, a participação do plástico no agronegócio brasileiro ainda é pequena, ocupando uma fatia de menos de 3%. Um potencial, segundo os especialistas, a ser explorado pelas indústrias de transformação.

Uma das técnicas que tem o plástico como ator principal é a mulching, indicada para o cultivo de hortaliças e algumas frutas, que utiliza um filme plástico para cobrir e proteger o solo de ervas daninhas. Resultado: menos defensivos agrícolas e maior economia, uma vez que a barreira criada pelo plástico mantém o solo sempre úmido, reduzindo a necessidade de irrigação.

Há também os filmes para coberturas de estufas, feitos em plástico transparente com proteção anti-UV, e que contribuem para o cultivo de vegetais que precisam de muita iluminação, podendo ser usados também nas laterais da plantação. E ainda as lonas para silos, voltadas para armazenar e secar grãos, cana-de-açúcar e outros produtos agrícolas. Além da estrutura para estufas hidropônicas, uma técnica de cultivo que utiliza estruturas e bandejas plásticas com furos de drenagem diferenciados, capazes de reter a água e os fertilizantes.

Os sistemas de irrigação por gotejamento possibilitam maior controle do uso de água.

Por fim, os diversos tipos de embalagens,indo dos sacos em polipropileno aos contentores flexíveis para grandes cargas, servem para estocagem e transporte de produtos agrícolas.

O Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Espírito Santo (Sindiplast-ES) tem vários associados que atendem ao segmento do agronegócio. Uma delas é a Zimermann, em São Mateus, município do Norte do Estado, especializada em mangueiras de irrigação, caixas plásticas e garrafões de água mineral. As mangueiras, por exemplo, comercializadas em rolos de 400 e 500 metros, têm entre os consumidores finais produtores capixabas de café e de mamão.

A Agrofit, localizada em Vila Velha, região da Grande Vitória, atua com sacos para mudas, fitilho para amarração e sacos para lixo. De acordo com o empresário Juscelino Oliveira, seus produtos atraíram os produtores rurais, que hoje estão entre os principais clientes.

Os produtos da empresa estão presentes em lavouras de café, de mamão e de laranja, sendo também muito utilizados no cultivo de flores, com clientes em todo o Estado e uma fatia grande do mercado na Bahia. O fitilho, por exemplo, é bastante usado por produtores de pimenta-do-reino e de maracujá. Já os sacos ganham utilidade na proteção de bananas, assim como os fitilhos, evitando que os bichos ataquem a plantação.

Por mês, a Agrofit comercializa cerca de 15 milhões de sacolas e projeta crescer ainda mais. “Acabamos de construir um galpão de 1.460 metros quadrados para iniciar a fabricação de lonas de pequeno porte que também vão atender ao agronegócio”, afirma Juscelino Oliveira.

Para o empresário, a consciência ambiental é de fundamental importância na fabricação e no uso dos produtos. “O meio ambiente precisa ser preservado. E todos os membros da cadeia têm de estar alinhados. A nossa sacola e o fitilho, por exemplo, duram por cerca de dois anos e depois se deterioram. O cliente sabe disso e é orientado na hora da venda. Ele tem a sua responsabilidade no processo”, ressalta.

Já a JL Martins, no município de Serra, também região metropolitana da Grande Vitória, tem participação ativa no fornecimento de embalagens de ráfia para o segmento de grãos e farelados, incluindo produtos como café, fubá, feijão e pimenta-do-reino. “Temos como principais clientes os produtores e as empresas que trabalham com armazenagem e exportação de café. A maioria está concentrada no norte do Estado”, afirma Eliziana Dias, que atua na parte Comercial da JL Martins.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (FAES), Júlio da Silva Rocha Júnior, afirma que a indústria do plástico possui uma importância inquestionável nos dias de hoje, uma vez que trouxe evolução e contribuiu para aumentar a capacidade de atendimento ao consumidor. “O plástico atingiu uma dimensão vital para a sociedade e sabemos que isso vai continuar avançando”, pontua.

Diante do crescimento, ele reforça que a indústria deve estar comprometida em orientar quanto ao descarte correto dos materiais. “A sociedade está mais exigente. Acredito que as empresas devem focalizar cada vez mais no marketing de conscientização. Dessa forma, a indústria do plástico prospera e faz a sua parte na educação do consumidor, que é o beneficiário imediato de toda essa mudança de cultura”, observa Júlio Rocha.

Fonte: Sindiplast-ES; Foto: Abiplast

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