Makers colaboram no combate à Covid-19

Criativos de todo país compartilham conhecimento para utilizar a impressão 3D em itens usando resinas plásticas no combate ao coronavírus

Criar, alterar, consertar ou fabricar diferentes tipos de objetos, por meio de um ambiente colaborativo de compartilhamento de informações entre grupos e pessoas. Essa é a filosofia da cultura maker, movimento que conquista cada vez mais adeptos em todo mundo e que aposta na criatividade aliada à tecnologia para criar soluções mais acessíveis.

Atentos ao cenário de pandemia que atinge o mundo, makers de todo Brasil se uniram para viabilizar, por meio da impressão 3D, o maior número possível de itens de proteção para quem está na linha de frente do combate à Covid-19.

Um exemplo dessa cooperação é o grupo Impressão e Prototipagem, que conta com mais de 400 integrantes de todo território brasileiro, os quais trocam conhecimento usando aplicativo de mensagens instantâneas. Charles Esteves Lima, professor e proprietário do fab lab Adoro Robótica, um dos participantes do grupo, conta que o principal objetivo é discutir sobre melhores práticas para agilizar o processo de produção dos equipamentos de proteção. “Trocamos informações técnicas sobre os elementos, a base das resinas plásticas que vamos utilizar e qual o melhor formato para a impressão. Além disso, também compartilhamos quem precisa utilizar os equipamentos 3D, quais estão disponíveis em determinadas áreas e quais os hospitais e centros de saúde que estão mais necessitados”. Segundo o professor, essa rede conecta polos em cada estado, a fim de que as máscaras e outros itens cheguem a quem precisa.

Charles revela que, por dia, são trocadas 400 a 500 mensagens, contendo desde solicitações de empréstimo de impressoras até dicas de configuração. “As faces shields (protetores faciais), por exemplo, são impressas utilizando-se bobina de acetato. Porém, em alguns lugares, não é possível encontrar o material em bobina. Neste caso, também aceitamos doações de acetato em A4, mas precisamos orientar os makers sobre como moldar os parâmetros para este formato”, explica o professor.

Além das máscaras de proteção, este grupo trabalha em projetos de impressão das válvulas que compõem os respiradores artificiais. “Tudo o que for possível imprimir em PETG ou PLA, que são os materiais liberados pela Anvisa, nós produziremos”.

O PETG – Politereftalato de etileno modificado com glicol e o PLA – Poli (ácido láctico) são resinas plásticas atóxicas e resistentes. O PETG é transparente, o que permite a visibilidade por parte do usuário da máscara. Já o PLA é um material plástico de origem biológica, amplamente usado como filamento para impressão 3D

Charles também faz parte de um grupo liderado pelo Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro, o IME, que reúne alunos e ex-alunos da instituição, além de outros colaboradores. A iniciativa viabilizou a produção e doação de 1.200 protetores faciais, entregues para os hospitais Miguel Couto, Salgado Filho, Souza Aguiar, Hospital do Exército, para a Polícia Militar do Rio de Janeiro e pequenos postos de saúde de todo o estado.

Na função de professor, Esteves disse que desenvolve, junto aos alunos, projetos que trabalham a modelagem 3D em robótica. “Busco estimular os estudantes a trazerem novas soluções que possam nos ajudar a diminuir custos. Um exemplo disso são os respiradores artificiais. Estamos dedicados a um trabalho conjunto para, inicialmente, desenvolver um equipamento e, depois, conseguir deixá-lo mais acessível. Trabalhos iguais a esse só são possíveis graças ao espírito colaborativo dos makers”, afirma Esteves. Para fazer parte do grupo basta entrar em contato pelo e-mail charles@adororobotica.com.

Makers contra o vírus – Assim como Charles, outros makers também estão se mobilizando para produzir protetores faciais para profissionais de saúde. É o caso do Makers Contra Covid-19, um grupo autônomo que se organizou para dar apoio ao combate ao novo coronavírus. Segundo o site dos idealizadores do projeto, o foco é utilizar a tecnologia para suprir o déficit de EPIs de quem trabalha na área da saúde.

Além de enviar protótipos para impressão, protocolos de limpeza e demais orientações para garantir a produção de forma segura, o Makers Contra Covid-19 também atua com voluntários em outras frentes, tais como montagem, logística e distribuição das máscaras, captação de recursos e doações, além de divulgação da iniciativa nas redes sociais. Mais informações no site https://makerscontracovid.net.br/.

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