Simplas mobiliza entidades nacionais e internacionais para sensibilizar Vaticano sobre equívoco de Encíclica Papal desfavorável ao uso dos plásticos

  • Proposta para diálogo com o Vaticano conquista apoios da Aliplast e Braskem
  • Entidades industriais do Canadá e Estados Unidos serão contactadas
  • Plastivida oferece apoio para contato com ONGs

A iniciativa do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás) de buscar uma convergência internacional do setor para dialogar com o Vaticano, a fim de obter uma nova orientação da Igreja Católica quanto ao uso e reciclagem dos plásticos, conta agora com os apoios oficiais da Associação Latino-americana da Indústria Plástica (Aliplast) e da petroquímica Braskem. O endosso foi confirmado em duas reuniões consecutivas durante a realização da Feiplastic, no Expo Center Norte, em São Paulo.

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e fabricantes de máquinas para plástico do Brasil e da Itália já manifestaram também seu apoio à iniciativa do Simplas.

A idéia é subsidiar o Vaticano com informações completas e atualizadas a respeito dos benefícios dos plásticos para a humanidade, em particular sobre seu ciclo de reaproveitamento. O canal de comunicação do Simplás com a chancelaria do Papa Francisco está aberto desde o ano passado. Os contatos se iniciaram ainda em 2015, quando a encíclica Laudato Si, de caráter social e ambiental, foi publicada com um trecho que propôe que se evite o consumo do plástico (entre outros materiais).

O Simplas prosseguirá as conversações, com o aval da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a partir de uma resposta já obtida da chancelaria do Papa Francisco, após sucessivas tentativas por meio de cartas, intermediação bispal e até contato direto com cardeais na Basílica de São Pedro.

“Os religiosos ligados ao Papa e representantes da Secretaria de Estado do Vaticano foram muito receptivos e compreenderam a necessidade de existir este diálogo e colocaram-se à disposição. A partir deste momento, cabe às lideranças internacionais do setor de plástico unirem-se e elaborarem um projeto de diálogo com o Vaticano, com o objetivo de sensibilizar os cardeais da Secretaria de Estado e, posteriormente, dialogar com o Papa Francisco”, afirma Jaime Lorandi (foto), presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplas).

A encíclica Laudato Si, divulgada em 18 de junho de 2015, tem caráter social e ambiental. Em determinado trecho, o documento sugere aos fiéis católicos – que correspondem a aproximadamente 1,3 bilhões de pessoas no mundo todo – “evitarem o uso de material plástico”. “Esta orientação do Papa pode influenciar as idéias e o comportamento de bilhões de pessoas nas próximas décadas”, adverte Lorandi.

Na condição de empresário do ramo de plásticos e, ao mesmo tempo, de estudioso diletante de Encíclicas Papais, a posição única de Jaime Lorandi lhe permitiu cedo identificar o equívoco da orientação da Encíclica sobre o uso dos plásticos, a qual, inclusive, é contraditória com a visão do Papa sobre o combate à pobreza e à fome.

“A maioria dos povos descartam os produtos pós-consumo de forma não ecológica, tratando-os como lixo e jogando-os no meio ambiente. Esta forma errônea de destinação criou uma mentalidade de que os plásticos poluem, gerando uma onda de desinformação contra o uso do material. Caso a humanidade evite ou exclua os plásticos de sua vida, haverá muito mais famintos, sedentos, despidos, doentes, desabrigados e com menos possibilidade de deslocamento geral. Inclusive, haverá maior dano ambiental, provocado pelo uso de outros materiais que exigem maiores recursos naturais e energéticos”, alerta o presidente do Simplas. “É dever das pessoas que possuem conhecimento aprofundado em plásticos, em humanidades e em uso de recursos naturais e energéticos, informar a todos sobre os benefícios deste material e alertar sobre os perigos consequentes de seu desuso e eliminação. Caso haja alteração na orientação da encíclica, este fato histórico trará uma grande repercussão positiva na cultura da reciclagem, principalmente nos países ocidentais”, afirma Lorandi.

Durante a Feiplastic 2017, o presidente do Simplás realizou várias reuniões e contatos visando mobilizar o setor para o desenvolvimento de um projeto coletivo internacional e unificado com o objetivo de conversar diretamente com o Vaticano a respeito da importância dos plásticos para a vida humana. Sobretudo, quando se cumpre o seu ciclo de descarte e reutilização.

“O avanço adicional do encontro com a Aliplast durante a Feiplastic foi a manifestação do México de levar a proposta à associação da América do Norte, que reúne as indústrias de Canadá e Estados Unidos. Para que também eles apóiem a formação de uma linguagem única de todo o setor, a nível mundial”, afirma o presidente do Simplás.

Aval da Braskem

Durante encontro com Jaime Lorandi, também no decorrer da Feiplastic, o presidente e o vice-presidente da Braskem, Fernando Musa e Edison Terra, respectivamente, afirmaram que desconheciam o tema relativo à encíclica Laudato Si e se propuseram a encaminhar o assunto ao Conselho Mundial do Plástico (WPC, na sigla em inglês). A Braskem ocupa uma cadeira no Comitê Executivo da organização, que trata de assuntos estratégicos à cadeia plástico-petroquímica em todo o planeta.

“Eles perceberam que o assunto deve ser abordado com muito zelo. E já confirmaram que a associação internacional dos fabricantes de plástico vai apoiar e fornecer todas as informações necessárias”, afirma Lorandi.

Plastivida busca sensibilizar Organizações Não Governamentais

Visando obter o apoio de instituições de ensino e organizações não-governamentais (ONGs) ligadas ao setor, a iniciativa do Simplas conta também com o suporte da Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos.

“A Plastivida já se sensibilizou e vai levar o assunto às demais ONGs ligadas ao plástico, para obter também o apoio e as informações delas para formatarmos o projeto de diálogo com o Vaticano”, comenta Lorandi. O envolvimento das ONGs visa também avançar com a sensibilização de organismos internacionais sobre o tema: “Agora queremos o apoio da ONU. Queremos obter o suporte de organizações mundiais, como a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), para que elas também tenham conhecimento da importância do plástico para a alimentação e a saúde do planeta”, finaliza Lorandi.

Fonte: Simplas; foto: Júlio Soares / Objetiva (divulgação Simplas)

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