Indústria 4.0 é tema de destaque em Seminário sobre Competitividade no setor plástico

Federico Tagliani, do Grupo Assa, abordou nova realidade baseada na colaboração de elementos computacionais controlando os processos físicos  

Mesmo que o Brasil não estivesse às voltas com a grave crise econômica atual, ainda assim a indústria nacional teria de estar em busca de novas e mais eficientes formas de produção. Isso é o que se pode deduzir da exposição feita pelo vice-presidente regional do Grupo ASSA, Federico Tagliani, durante o Seminário Competitividade, realizado conjuntamente pela Abiplast e a Plásticos em Revista, no Hotel Meliá Paulista, dia 24/9.

“O Brasil não é tão grande que possamos nos esconder do que acontece no mundo”, ressaltou Tagliani. “Há uma transformação puxada pelas tecnologias. Redes sociais impactam nos negócios e quem não faz nada corre o risco de sair do mercado”, observou, fazendo uma ligeira provocação àqueles que preferem empatar capital no mercado financeiro em vez de investir em produção e inovação.

A indústria inteligente, segundo ele, integra dados e informações baseados em redes que provêem o entendimento, o planejamento e o gerenciamento de todos os aspectos da fabricação e da cadeia de suprimentos.

De acordo com o especialista, vivemos hoje a quarta revolução industrial: a primeira se deu com o advento da máquina a vapor; a segunda, com a massificação da produção; a terceira se deu com o controlador lógico programável; e, hoje, estamos na era dos sistemas ciber-físicos (CPS), em que temos a colaboração de elementos computacionais controlando os processos físicos. Estes podem ser aplicados às áreas mais diversas – aeroespacial, automotiva, química, infraestrutura civil, energia, saúde, manufatura, transporte, entretenimento e produtos de consumo.

As novas aplicações analíticas avançadas podem processar bilhões de dados gerados a partir de todos os objetos em rede, conectados por dispositivos, sensores etc. E, de acordo com Tagliani, a implantação de Sistemas Inteligentes de Fabricação desenha os contornos da transformação no setor industrial mais avançado no mundo.

As economias mais maduras estão atentas a essa tendência. O governo norte-americano, por exemplo, lançou vários planos orientados à modernização do seu setor produtivo, incluindo a criação de institutos de inovação em todo o país. Destacam-se os institutos nas  áreas de Fabricação aditiva (Impressão 3D) em Ohio, Fabricação de Semicondutores de Baixa Potência, na Carolina do Norte, e de Fabricação digital e inovação em design  (DMDI) e Materiais leves, em Michigan.

Na Alemanha, a Indústria 4.0 é uma iniciativa nacional. Lançada na Feira de Hannover em 2013, capturou a atenção de diversos segmentos da manufatura global e o governo criou um plano baseado em sistemas ciber-físicos para fomentar sua nova Revolução Industrial.

Na América Latina, ainda estamos engatinhando nesta área. “E a era da indústria inteligente não comporta atitudes de isolamento”, alerta Tagliani, que cita como exemplo de nossa propensão ao isolamento a adoção do padrão de tomada de três pinos em todo o território nacional.

De acordo com o palestrante, é preciso que o Brasil adote uma agenda de inserção nessa nova “revolução”. E enfatiza: “Recriar uma indústria exige criatividade. Devemos participar dos processos abertos de normatização internacional, qualificar nossa mão de obra, otimizar a cadeia de importação e exportação, fomentar a criação de comissões-espelho na ABNT e coordenar investimentos públicos e privados para acelerar o desenvolvimento de um ecossistema nacional de indústria inteligente, com foco nas vertentes em que existam necessidades e/ou vocações brasileiras”.

Fonte: Assessoria de Imprensa – Abiplast

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