Mercado de compósitos ganha destaque em evento da Plastech Brasil

Perspectivas apresentadas por Waldomiro Moreira impressionaram executivos do setor

Waldemiro-Moreira_PlastechUm avião que se autorregenera de danos em pleno voo. E que pode ser transparente, inclusive. Um trem que se desloca levitando sobre os trilhos. Uma superfície que tem todas as características do granito, exceto o peso. Um poste de transmissão de energia que pode ser carregado nos braços por dois homens – ou arrastando flutuando sobre a água, no meio rural. Parece obra de ficção, mas é a realidade do mercado de compósitos apresentada em evento organizado pela Plastech Brasil na quinta-feira (26) à noite, em Caxias do Sul (RS). E cujo único limite, ao que tudo indica, depende do sucesso da união entre criatividade e pesquisa.

Conselheiro gestor da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco), professor do curso de pós-graduação da própria entidade, executivo da empresa Elekeiroz e engenheiro químico com pós-graduação em polímeros, Waldomiro Moreira revelou que o Brasil está prestes a tornar-se o líder mundial na fabricação de pás para geradores de energia eólica, ultrapassando a Dinamarca. A matéria-prima do produto são os compósitos de epóxi.

“Literalmente, é um mercado que vai de vento em popa no país. O Brasil tem um terreno excelente para a geração de energia eólica. As pessoas acham que o mais importante é a intensidade do vento, mas na verdade, o que interessa e que temos de diferencial é a constância. Só não há um impacto ainda maior na matriz energética do país porque faltam linhas de transmissão”.

Coincidência, ou não, outro problema que os compósitos já estão ajudando a resolver. Os postes de linhas secundárias normalmente são feitos de madeira de eucalipto, que demanda um caro e agressivo tratamento com defensivos químicos para garantir resistência, ou de concreto, que embora barato, é de difícil manejo.

“Os compósitos estão fazendo uma verdadeira revolução na área elétrica. Enquanto um poste de concreto de 12 metros de comprimento pesa quase meia tonelada, o mesmo poste, feito de compósito, tem 80 quilos. Pode ser carregado por dois homens. O primeiro impacto já está acontecendo na iluminação rural: o poste feito de compósito não contamina o solo, porque dispensa tratamento químico, e em áreas alagadas, ou de banhado, pode ser arrastado pela água, porque flutua. Sem falar que o compósito é material não-condutivo. Ou seja, não há fuga de corrente”, explicou Moreira.

As perspectivas do setor que já ostenta mais de 50 mil aplicações catalogadas em todo o mundo e que a partir de 2015 passa a desfrutar de área específica na feira realizada pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás) impressionaram o público de executivos da indústria, professores e pesquisadores reunidos na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul. Um dos slides por exemplo, mostrava a capacidade de regeneração de fibras danificadas em pleno voo. Em outro, a aeronave aparecia com seções inteiras feitas de material transparente. Boeing e Airbus, os dois maiores fabricantes mundiais de jatos comerciais já trabalham nos projetos.

“A indústria aeroespacial dos Estados Unidos lidera o avanço em tecnologia. A Boeing está prestes a lançar um avião com mais de 60% de compósitos em sua massa. É questão de tempo, talvez 10 anos, para termos a primeira aeronave 100% feita de compósitos. Na Europa, o automobilismo esportivo, principalmente a Fórmula 1, traz a vanguarda das aplicações que logo depois chegam ao mercado convencional. Mas isso é apenas o material de valor agregado. O Brasil pode tirar muito proveito do compósito produzido em larga escala, para a indústria náutica, ou de peças técnicas para ônibus, caminhões pesados, tratores e máquinas agrícolas”, referiu o palestrante.

“Não é substituição. É solução!” – Moreira entende que a indústria verde-amarela pode apostar em fibras ecológicas para mobiliário de áreas externas, como jardins, parques, piscinas ou balneários. Na construção civil, há os painéis de fachadas e a tecnologia conhecida como Solid Surface, que emula praticamente todas as características do granito – exceto a carga pesada. No segmento de infraestrutura, tubos, tanques, reservatórios e grades de piso (para plataformas petrolíferas, por exemplo) feitos de compósitos têm longevidade ampliada graças ao princípio da resistência por inércia química.

No processo de RTM (resin transfer molding), o Brasil é um dos mais avançados do mundo. Na pultrusão, o Rio Grande do Sul, onde se realiza a Plastech Brasil – Feira do Plástico, da Borracha, dos Compósitos e da Reciclagem, é líder nacional. Em outra frente, uma equipe universitária no interior de São Paulo já vem obtendo sucesso na pesquisa da confecção de fibra de carbono a partir do bagaço da cana-de-açúcar.

Segundo a consultoria MaxiQuim, contratada pela Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco), o valor da produção na indústria brasileira de compósitos crescerá acima dos 2,5% em 2015, mesmo considerando-se o PIB de 0,5%. A estimativa é de que o setor atinja receita superior a R$ 3,3 bilhões, processe 207 mil toneladas de material e gere aproximadamente 75 mil empregos no país este ano.

Com 42 anos de experiência em compósitos (matérias-primas e processos), antes de integrar-se à Elekeiroz, empresa associada à europeia DSM, Waldomiro Moreira passou por Cray Valley (Grupo Total), Henkel Loctite, Reichhold e Mercedes-Benz, entre outras companhias. De acordo com o especialista, o Brasil está eliminando a defasagem em relação a outros centros mundiais no que tange a tecnologias e processos. Ainda herança de uma má-concepção inicial de mercado quando do surgimento do setor de compósitos no país, décadas atrás.

“Essa indústria começou errada aqui. Que bom que enxergamos isso agora e estamos recuperando o tempo que perdemos deixando de fazer engenharia de produto. O compósito não é material de substituição. O compósito é a solução!”, concluiu.

Fonte: Assessoria de Imprensa – Plastech Brasil

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