Presidente da Abiplast enumera estatísticas de 2013 para o setor de plásticos e invoca ousadia para 2014

Artigo de José Ricardo Roriz Coelho (*)

O balanço anual de 2013 do setor de transformação do plástico é um exemplo muito claro de que a indústria brasileira continua premida pela perda de competitividade.

Sua recuperação, considerando que paga salários altos, aporta e desenvolve tecnologia e exporta itens de alto valor agregado, é decisiva para que o PIB volte a crescer de modo mais substantivo.

O crescimento da produção física do setor poderia ter sido sensivelmente maior do que o índice de 1,6% em 2013, quando alcançou 6,67 milhões de toneladas, ante 6,66 milhões em 2012.

O segmento de laminados foi o que apresentou maior expansão, com 8,3%. Em seguida, aparece o de artefatos diversos, com alta de 1,2%, e o de embalagens, que registrou queda de 0,3%.

Os laminados foram puxados pelo setor automotivo, que expandiu devido à política de crédito e incentivos fiscais. Por outro lado, a importação de alimentos embalados aumentou, prejudicando as embalagens plásticas nacionais.

Em valores, a produção cresceu 8,6% na comparação 2012-2013, saindo de R$ 56,46 bilhões para R$ 61,33 bilhões. O consumo aparente registrou aumento de 9,1%: de R$ 60,8 bilhões, foi para R$ 66,3 bilhões. Aqui há um dado crucial para evidenciar a perda de competitividade da indústria brasileira: o consumo cresceu de modo expressivo, mas está sendo atendido em grande parte pelas importações, em detrimento da produção nacional.

Em consequência, repete-se o saldo negativo na balança comercial: o setor exportou 7% mais na comparação com o ano anterior, com 255 milhões de toneladas, e importou 6% acima do registrado em 2012, um total de 731 milhões de toneladas.

No comércio exterior setorial, o deficit já era negativo em US$ 2,05 bilhões no acumulado de janeiro a outubro, com um crescimento de 8,52% em relação a igual período de 2012. Mesmo nesse cenário, os investimentos tiveram crescimento de 4,8% na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 1,97 bilhão. Quanto ao emprego, registramos alta de 2,2% (7.600 novos postos).

Todos esses números poderiam ser melhores se o Brasil conseguisse redespertar seu espírito empreendedor. Investir também significa correr riscos, mas os empresários mostram-se mais céticos ante incertezas e mudanças de cenários.

É premente reduzir a burocracia e o custo da produção, ampliar a segurança jurídica e estabilizar o câmbio e os juros em níveis adequados. É necessária uma estratégia definida e com métricas claras, não para cada semana, mas os próximos 15 ou 20 anos. Precisamos ser ambiciosos. No atual ritmo, levaremos 40 anos para ascender a um grau mais elevado de progresso. Com medidas práticas e estratégicas, o Brasil saltaria da posição de país de renda média para a de nação desenvolvida.

O país teve avanços importantes nos últimos anos, como a mitigação das desigualdades. Também é positiva a maneira como resistimos à crise mundial, com medidas anticíclicas que garantem uma das menores taxas de desemprego do mundo.

Porém, o modelo esgotou-se. Agora, é preciso ir além, com política fiscal mais transparente, resgate da competitividade industrial e sinalização de um cenário definido e claro para o estímulo do empreendedorismo e dos investimentos.

(*) José Ricardo Roriz Coelho, 55, é vice-presidente e diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico)

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