Discurso do presidente da Abiplast ressalta potencialidades da cadeia produtiva dos Plásticos, durante abertura da Brasilplast.

Discurso de José Ricardo Roriz Coelho, Presidente da Abiplast, durante abertura da Feira Brasilplast 2011:

“Excelentíssimo Ministro de Ciência e Tecnologia Aluízio Mercadante,

Autoridades, companheiros, empresários senhoras e senhores – Bom dia a todos!

Para fazer este pronunciamento aqui representando a cadeia de  Produção dos Plásticos eu tinha preparado a minha fala, focando principalmente em fatores estruturais que tiram a competitividade de se produzir no Brasil. Mas falar aqui do tamanho da nossa carga tributária, que os juros são os mais altos do mundo, atraindo capital especulativos que pressionam o cambio valorizando o Real, ou mesmo dizer do estrago que importações da China e outros países tem feito no nosso Mercado, não seria novidade para ninguém.

Eu prefiro muito mais ressaltar as potencialidades da cadeia produtiva dos Plásticos, e fazer um agradecimento muito especial as autoridades e empresários presentes por virem ao Anhembi hoje e durante a feira para conhecer mais este setor produtivo, e também aos fabricantes de maquinas e resinas plásticas, os transformadores que vieram expor os seus produtos, para mostrar tendências, realizar negócios, estabelecer parcerias e buscar soluções conjuntas e inovadoras para este setor que é um dos mais dinâmicos e importantes da nossa economia.

O Plástico é o material preponderante nas embalagens dos alimentos, dos produtos de limpeza, dos cosméticos, medicamentos, dos insumos agrícolas, assim como na grande maioria dos produtos oferecidos pelo varejo e utilizados no dia a dia das pessoas.

Um dos seus principais destinos por exemplo, e a embalagem que é o ultimo passo para agregação de valor de um produto. Neste momento em que falamos tanto, na possibilidade de adicionar valor as nossas matérias primas e commodities, nada melhor do que termos uma indústria de embalagem forte e competitiva aqui no Brasil. Porque então, não aproveitarmos a força do nosso agronegócio para já exportarmos alimentos já processados ao invés de granel.

Temos também uma presença muito forte do Plástico na construção civil barateando e trazendo soluções inovadoras na construção de casas e obras de infraestrutura, nos eletroeletrônicos, utilidades domesticas, moveis, brinquedos, higiene e limpeza, cosméticos, farmacêuticos e hospitalares, brinquedos, calçados, aeronáuticos, automobilísticos entre outros.

O Consumo aparente dos transformados plásticos em 2010 pelos brasileiros foi de 6, 2 milhões de toneladas. O crescimento em relação ao ano de 2009 foi próximo de 10 %. Pena que as importações capturaram uma boa parcela do nosso consumo: foram importados 2,8 bilhões de dólares de transformados plásticos, neste numero não foram considerados a importações de resinas, maquinas, equipamentos e componentes. As importações de transformados plásticos dobraram nos últimos 5 anos e continuam crescendo.

Não podemos ficar acomodados com esta situação, precisamos reagir e rápido. Não podemos também ficar aqui o tempo todo reclamando dos Chineses, ou seja, lá de quem for. O que devemos fazer e reverter esta situação e nos tornarmos um centro de excelência do setor de Plásticos no Mundo.

Não faz o menor sentido termos preços das nossas matérias primas básicas, como se ainda fôssemos um grande importador de Petróleo. Somos autossuficientes e seremos logo um dos maiores exportadores do mundo com o Pré Sal. As referencias Brasileiras de preços para Nafta, correntes de C3, gás natural vem de países que são grandes importadores. Nos Estados Unidos que descobriram e passaram a produzir recentemente o shale gás, os preços de gás natural caíram em pouquíssimo tempo de quase dez para cerca de 4 dólares por milhão de BTU. Enquanto isto no Brasil estes preços estão próximos de 12,  encarecendo também nossa energia elétrica que já é certamente uma das mais caras do mundo. Cabe à Petrobras que e uma das maiores e mais rentáveis empresas do mundo, mudar esta situação.

Temos que desonerar os custos tributários dos investimentos, com acesso a credito a custos competitivos pelos menos para as empresas menores que tem enormes dificuldades para acessar estes recursos.

A Indústria de Manufatura Brasileira responde por cerca de 16% do PIB, mas responde por quase 38% de toda arrecadação de tributos dos 12 setores da economia Brasileira. Isto sem contar que no Brasil pagamos impostos antes de receber dos clientes, que é uma herança da época em que tínhamos inflação próxima a 2% por dia. Para fazer frente a este descasamento de cerca de 50 dias, temos que buscar capital de giro nos Bancos, sabendo que o nosso custo de capital é o maior do mundo. Não entrando nessa conta a burocracia envolvida com mais de 85 tributos no nosso pais, e a cada 26 minutos a Receita Federal cria uma nova regra.

No setor de Plásticos, faturamos anualmente mais de 50 bilhões de Reais e empregamos mais de 400 mil pessoas, sendo o sexto setor mais empregador da indústria Brasileira e o segundo de São Paulo, com presença em todos os estados brasileiros e na maioria dos municípios.

A indústria de Manufatura e responsável por 23% da arrecadação da Previdência Social no Brasil, sendo que aqui os encargos trabalhistas representam 32,4% do custo da mão de obra industrial, enquanto que a média de em 34 Países que representam mais de 90% do PIB mundial a média é de 21%.

Temos urgência em desonerar a nossa folha de pagamento, eu entreguei na ultima sexta feira uma proposta elaborada pela Fiesp por determinação do presidente Paulo Skaf, na ultima sexta feira ao secretario Nelson Barbosa.

Vamos disputar mão de obra qualificada com outros setores da economia, temos que formar pessoas, melhorar gestão, buscar escala ótima de produção. Sabemos que se não fossem os Plásticos, hoje estaríamos gerando três vezes mais volume de lixo, e por isto mesmo devemos estar atentos as exigências ambientais da nossa sociedade, e fazer a nossa parte na implementação da Politica Nacional de Resíduos Sólidos.

Temos que investir em Pesquisa e Desenvolvimento, setores como nanotecnologia, melhorando o desempenho dos nossos produtos, em biotecnologia para as resinas de fontes renováveis. design, moldes, processos, materiais, soluções inovadoras para suportar o desenvolvimento e o crescimento dos nossos clientes.

Só queria aqui lembrar ao Ministro, que uma das forças da Petrobras que permitiu buscarmos nas profundezas do pré sal petróleo de boa qualidade foi o seu desenvolvimento tecnológico. Se hoje temos a tecnologia necessária, foi porque dentre outras coisas pela Lei do Petróleo (Lei nº 9.478/1997), em seu Art. 8º, alínea X, a ANP é obrigada a estimular a pesquisa e a adoção de novas tecnologias na exploração, produção, transporte, refino e processamento.

Por este motivo, a partir de 1998, a ANP incluiu nos Contratos de Concessão para Exploração, Desenvolvimento e Produção de Petróleo e Gás Natural cláusula determinando que o concessionário seja obrigado a realizar Despesas Qualificadas com Pesquisa e Desenvolvimento em valor equivalente a 1% (um por cento) da receita bruta da produção para tal campo. É a chamada “participação especial”, tributo adicional aos royalties.

A lei estabeleceu ainda que, no mínimo, 50% do valor dos investimentos devem ser aplicados em instituições de pesquisa e desenvolvimento – P&D – credenciadas pela ANP para esse fim, podendo os demais recursos serem aplicados em despesas qualificadas como P&D executadas em instalações próprias dos concessionários e de empresas afiliadas.

Porque não fazer o mesmo com contribuições como esta que seriam repassadas a jusante nas diversas cadeias produtivas como a nossa dos Plásticos, e também naquelas de matérias primas ou commodities onde temos indiscutivelmente vantagens comparativas sobre outros países, e que as divisas de suas exportações contribuem enormemente para valorizar o Real, evitando a já conhecida doença holandesa, já presente na nossa economia.

Já chegando ao final da minha fala, o que nos não gostaríamos e de engrossar as filas em Brasília, pedindo para aumentar as alíquotas de importação de nossos produtos, o que nos queremos e o direito de sermos competitivos e participar desta enorme mudança que o nosso pais vem atravessando. Queremos fabricar os produtos que serão consumidos pelos brasileiros e também ter uma forte presença dos nossos produtos e serviços no Mercado Mundial.

Apesar de termos muitas coisas e mudanças a serem feitas, as condições de vida dos brasileiros tem melhorado muito. Em 2003 tínhamos 66 milhões de pessoas na classe C, e as ultimas projeções indicam que teremos cerca de 113 milhões de pessoas nesta classe social em 2014.

Este pessoal com renda maior tem todo o direito de ter acesso a produtos e serviços que vão estar presentes no seu dia a dia. Eles não vão às lojas para comprar minério de ferro, pasta de celulose, barril de petróleo, correntes de C3, Nafta Petroquímica, etc. Eles vão para comprar alimentos processados e embalados, tubos e conexões, televisores, automóveis, DVD’s, liquidificadores, geladeiras, medicamentos, escorredores de macarrão, contentores de lixo, seringas de injeção, escovas de dente, celulares, computadores, brinquedos, sacos de lixos, shampoos, desinfetantes, calçados e centenas de milhares de produtos onde a presença do Plástico no seu processo produtivo e uma condição essencial e insubstituível para baratear o seu custo e melhorar o seu desempenho, e aqui que temos o desafio diário de produzir em tempo cada vez mais reduzidos produtos inovadores e diferenciados.

Mais uma vez agradeço a presença dos representantes de todas as entidades parceiras para a realização deste tão importante evento para o nosso setor, com a certeza de que poderemos aqui, durante a realização da Brasilplast, e nos nossos encontros futuros, buscar soluções para grandes avanços da Cadeia produtiva dos Plásticos.”

José Ricardo Roriz Coelho

Fonte: Assessoria de Imprensa BRASILPLAST

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