Presidente da ABIPLAST destaca potencial de crescimento da indústria plástica brasileira.

Atual presidente da entidade, José Ricardo Roriz Coelho vê com bons olhos as oportunidades que o Brasil tem perante outras nações

Com um consumo médio per capita de plástico de 27,94%, o Brasil tem muito a crescer quando comparado aos Estados Unidos, com 105%, e Europa, com 99%. Diante desses números, José Ricardo Roriz Coelho, presidente da ABIPLAST (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), afirma que o País tem uma grande oportunidade de crescimento.

Em entrevista concedida à Assessoria de Imprensa da BRASILPLAST (13ª Feira Internacional da Indústria do Plástico), José Roriz destaca a importância do evento para o setor, como o mercado brasileiro enxerga a questão da sustentabilidade, entre outros assuntos. Acompanhe:

Assessoria de Imprensa: Qual a importância da BRASILPLAST para o mercado nacional?
Roriz – Uma feira de negócios do porte da BRASILPLAST é uma excelente oportunidade para que as empresas se atualizem com as últimas novidades em termos de tecnologia e novos produtos, avaliem tendências, conheçam novos clientes e fornecedores e fechem bons negócios.

A.I.: Quais as expectativas da entidade em relação à BRASILPLAST 2011?
Roriz – Esperamos que o período de 9 a 13 de maio de 2011 sirva para que as empresas do setor plástico avaliem mercados, sejam estimuladas a investir em novas tecnologias e estudem a viabilidade de acesso a novos mercados. Enfim, acreditamos que a BRASILPLAST seja uma oportunidade para que as empresas conheçam o mercado e possam formatar estratégias para alavancar sua competitividade.

A.I.: Em termos mundiais, como o senhor compararia o evento brasileiro?
Roriz – A BRASILPLAST está no rol das feiras do setor plástico mais importantes do mundo e, seguramente, é o principal evento do setor na América do Sul.

A.I.: Muito tem se falado em “plástico verde”. Como esses produtos complementam a cadeia do plástico como um todo?
Roriz – A Braskem inaugurou em setembro/2010 uma fábrica com capacidade de produção de 200 mil toneladas/ano de polietileno “verde”, isto é, um plástico proveniente de fonte renovável (etanol – cana de açúcar) e já anunciou investimentos para instalação de planta para produção de polipropileno verde.

O uso dos produtos plásticos “verdes” ainda está restrito a alguns segmentos e o preço desse material é acima do valor do produto convencional, até porque se trata de uma nova tecnologia, que ainda não tem produção em escala suficiente para substituir os produtos convencionais.
É preciso salientar que existem diferenças entre o que se chama de plástico “verde” e o plástico biodegradável. O plástico “verde” é o material obtido através de fontes renováveis, que não necessariamente são biodegradáveis. O plástico biodegradável é aquele em que há depois de certo tempo a degradação do polímero, desde que exposto em condições ideais.

A.I.: Quais são as regiões brasileiras que se destacam na indústria de transformação do plástico?
Roriz – O setor plástico é composto por 11.526 empresas, sendo que 85% delas estão concentradas nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Somente no Estado de São Paulo existem 5,1 mil empresas, o que representa praticamente 45% do total do Brasil. O segundo Estado com maior concentração de empresas é Rio Grande do Sul, com 1.200 empresas, seguido por Santa Catarina e Paraná, com cerca de 940 empresas cada.

A.I.: Embora as exportações estejam em queda, para quais países o Brasil mais exporta seus produtos transformados?
Roriz – Só fazendo uma correção. As exportações não estão em queda. Elas crescem, porém a um ritmo bem menor do que as importações. Os principais parceiros comerciais do Brasil nas exportações de plástico são: Argentina, que recebe 26% do total das exportações brasileiras; Países Baixos (Holanda), que capta mais 15%; e os Estados Unidos, que responde por outros 8% do total das exportações de transformados plásticos brasileiros.

A.I.: Qual a importância do BNDES Proplástico para a cadeia produtiva do plástico? Quais os principais benefícios para as empresas e o que isso significa para a cadeia?
Roriz – O BNDES Proplástico é um programa de fomento ao investimento para a cadeia do plástico lançado em uma hora bastante propícia para indústria de transformação. O BNDES Proplástico atua com cinco modalidades de financiamento, sendo: financiamento à produção e modernização do parque fabril; renovação de bens de capital; fomento à inovação, pesquisa, desenvolvimento e tecnologia; incentivo ao fortalecimento das empresas do setor por meio do apoio a incorporações, fusões, aquisições; e financiamento de projetos socioambientais, que apoiam tanto projetos de desenvolvimento de tecnologias limpas, reciclagem, até projetos sociais para melhoria da qualidade de vida de colaboradores e da comunidade no entorno da empresa.
Essa ampla gama de possibilidades de financiamentos, aliada a possibilidade de acessar os recursos do BNDES Proplástico diretamente com a instituição, sem precisar passar por intermediários financeiros, torna o programa bastante atrativo para as empresas do setor de transformação de material plástico.
Mas mesmo sendo um programa que atende os anseios do setor, cabe uma crítica construtiva, que deveria ser estudada pela diretoria do BNDES. O setor de transformação de plástico é composto em sua grande maioria por empresas de micro e pequeno porte, que muitas vezes não têm estrutura para implementar um projeto de mais de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais – valor mínimo para enquadramento de projetos no BNDES/Proplástico). Ou seja, o grande universo de empresas do setor não consegue acesso ao programa. Sabemos que existem outros produtos do próprio BNDES que podem atender essa demanda, porém se BNDES/Proplástico contemplasse esse público seria mais eficiente na concretização de seu objetivo de servir como um instrumento de desenvolvimento e aumento de competitividade do setor plástico.

A.I.: O senhor poderia traçar um perfil do mercado brasileiro e a questão da sustentabilidade?
Roriz – A primeira coisa a destacar é a oportunidade da indústria de plástico no Brasil. Temos um potencial enorme porque o consumo per capita de plástico é muito baixo. O crescimento do País está trazendo para o mercado milhares de consumidores que antes não tinham acesso a produtos manufaturados, o que torna a oportunidade do setor de plástico no Brasil é gigantesca. Aliado a isso, temos um país que nos próximos dois ou três anos deve começar uma trajetória de exportação de petróleo, o que torna nossa cadeia produtiva autossuficiente em produtos e matérias-primas. O Brasil, que antes era voltado à indústria regional de plástico pode se tornar uma das regiões mais competitivas do mundo na produção de produtos plásticos para atender a demanda do mercado interno e até para exportar. Por isso, reforço, essa é uma oportunidade gigantesca.

Com relação a problemas, como em toda a cadeia produtiva, o padrão de consumo vai mudando e com isso a sociedade vai gerando novas demandas. Uma delas é que os produtos sejam ambientalmente amigáveis. E isso exige que os produtos utilizem o mínimo de matérias-primas, sejam mais leves e, ao mesmo tempo, gerem o mínimo de lixo possível. Hoje a questão da sustentabilidade é uma exigência da sociedade e não vejo nenhum problema em desenvolvermos produtos cada vez mais adequados a essa demanda, sendo inovadores, com qualidade e que sejam baratos, porque quando se desenvolve produtos mais baratos, maior parte da população tem acesso a isso.

A.I.: Como o senhor avalia a balança comercial do setor?
Roriz – Esse é o maior problema da indústria de transformação hoje no Brasil. E quando digo setor da transformação estou englobando todos os setores da economia e não somente o de plástico. O Brasil é o maior país importador em crescimento desde o início do ano, então se compararmos o País com outros em desenvolvimento e mesmo com os desenvolvidos, a taxa de importação tem aumentado bastante. O crescimento das importações de transformados plásticos brasileiro tem sido muito maior do que o crescimento das exportações. Isso mostra que nós estamos perdendo competitividade para os produtos feitos fora. E as razões para isso são o custo da matéria-prima, o câmbio, as taxas de juros, tudo isso inibe o investimento. A carga tributária brasileira acaba onerando a produção interna de produtos transformados e muitas vezes o consumidor final prefere importar, pois o preço é mais  acessível.

A.I.: E isso acaba impactando também no setor de máquinas?
Roriz – Boa parcela das máquinas adquiridas no último ano foi importada. Além disso, temos o problema do câmbio, matérias-primas caras, preço alto do aço. A somatória desses fatores tira parte da nossa competitividade. Por outro lado, nós que somos compradores de máquinas, à medida que esse crescimento do mercado vai acontecendo os transformadores brasileiros poderiam comprar mais máquinas. Em contrapartida, vejo o pessoal adquirindo máquinas para diminuição de custo e poucos comprando máquina para aumentar volume. Até porque se há aumento do volume de produção há dificuldade em exportar por causa do câmbio. E quando se vai vender no mercado interno bate-se de frente com produtos importados. Vejo isso com muita preocupação.

A.I.: Qual o tempo médio das máquinas no Brasil?
Roriz – Em torno de 10 anos. Embora possam ser consideradas relativamente novas, hoje em dia a tecnologia tem se desenvolvido muito rapidamente. Então a questão não é comprar uma máquina que dure muito tempo e sim aquela que tecnologicamente tenha incorporadas todas as evoluções necessárias para ter um produto competitivo.

A.I.: E quanto aos nossos recursos humanos? Qual a sua avaliação?
Roriz – É preciso fazer um trabalho muito forte na parte de gestão das empresas. A indústria de transformação plástica tem hoje 11.500 fábricas, sendo que a maioria possui menos de 100 funcionários. Com isso carecem de um trabalho de melhoria da qualidade de gestão, inclusive para enfrentar todas essas dificuldades. E em relação à cadeia produtiva do plástico existem poucas universidades especializadas e também poucos cursos técnicos num mercado que agrega 327.073 empregados. A melhoria da qualidade de gestão associada à uma melhor formação de pessoal técnico será um grande avanço. Com máquinas tecnologicamente avançadas, pessoal qualificado e uma boa gestão teremos uma indústria muito mais competitiva.

A.I.: Qual a proposta da ABIPLAST e os objetivos em sua gestão?
Roriz – A proposta é mudar para nos adequarmos às novas realidades que existem e capturar as oportunidades. Temos que ter a cadeia unida e mostrar para o mercado financeiro que este é um setor atrativo para investimento. A ABIPLAST tem o papel fundamental de discutir isso com os empresários do setor, aproveitar as oportunidades e fazer com que a cadeia seja uma das mais competitivas do mundo.

A.I.: Deixe uma mensagem para expositores e visitantes da BRASILPLAST 2011.
Roriz – De uma forma bastante objetiva: “Desejo a todos excelentes negócios.”

Fonte: Brasilplast / Assessoria de Imprensa

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